Laranja pode evitar doença que mata 17 milhões de pessoas ao ano

As drogas caras e com efeitos colaterais vendidas nas farmácias para o controle da hipertensão e demais doenças cardíacas terão de enfrentar um novo, natural e forte concorrente nos próximos anos. Um estudo conduzido pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) comprovou que as cascas e o bagaço da laranja têm ação antioxidante na camada interior dos vasos sanguíneos e, consequentemente, promovem a proteção cardiovascular. O segredo está em uma enzina isolada nesses subprodutos da fruta.

Dos laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, um concentrado produzido a partir desta enzima emerge como esperança de cura para 17 milhões de pessoas que morrem por doenças cardíacas a cada ano no Planeta, maior índice de letalidade entre todas as doenças que afligem o ser humano.

E o Brasil é o maior produtor mundial de laranja, com 17 milhões de toneladas colhidas a cada ano. E, na indústria do suco, quase 50% das laranjas resultam em resíduos (casca, bagaço, sementes), em parte reaproveitados como subprodutos, para enriquecer de fibras a ração animal, por exemplo, mas em sua maioria descartados no meio ambiente.

A valorização destes resíduos agroindustriais, através da transformação dos fenólicos neles presentes para aumentar seu potencial bioativo no combate a radicais livres, é o objetivo de uma linha de pesquisa do Laboratório de Bioprocessos do Departamento de Alimentação e Nutrição da Unicamp.

Dentro desta linha, Amanda Roggia Ruviaro acaba de defender tese de doutorado em que submeteu os resíduos da laranja a diferentes processos enzimáticos para aumentar a extração e alterar o perfil dos fenólicos, promovendo maior atividade antioxidante e de proteção cardiovascular. Os extratos obtidos mostraram-se capazes de induzir o relaxamento arterial mesmo na presença de disfunção endotelial (na camada interior do vaso sanguíneo) ou em situações de estresse oxidativo vascular.

A pesquisa foi orientada pela professora Gabriela Alves Macedo, em parceria com o professor Edson Antunes, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.